Contratos e Cobranças
Cláusulas abusivas em contratos: como identificá-las
Por Dra. Acsa Carlis, OAB/SP 436.184 — Advogada
Muitos contratos, especialmente os de adesão — aqueles em que uma parte apenas aceita cláusulas já redigidas pela outra, sem margem de negociação — contêm disposições que colocam o consumidor ou a parte mais fraca da relação em desvantagem excessiva. Identificar essas cláusulas é importante antes de assinar um contrato e também para quem já assinou e desconfia de alguma condição imposta.
O que a lei considera cláusula abusiva
O Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil trazem parâmetros para identificar cláusulas que geram desequilíbrio excessivo entre as partes. De forma geral, são consideradas abusivas cláusulas que:
- Impossibilitam, exoneram ou atenuam a responsabilidade do fornecedor por vícios do produto ou serviço;
- Transferem responsabilidades a terceiros de forma indevida;
- Estabelecem obrigações consideradas iníquas ou excessivamente onerosas para uma das partes, incompatíveis com a boa-fé;
- Permitem que apenas uma das partes altere o conteúdo do contrato unilateralmente;
- Autorizam o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente sem que o mesmo direito seja dado à outra parte;
- Impõem representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor.
Sinais de alerta ao ler um contrato
- Cláusulas escritas em letras muito pequenas ou em linguagem excessivamente técnica, dificultando a compreensão;
- Condições que só beneficiam uma das partes em situações de descumprimento;
- Multas ou penalidades desproporcionais ao valor do contrato;
- Renúncia a direitos básicos, como o direito de arrependimento em compras a distância.
Consequência de uma cláusula abusiva
Quando reconhecida como abusiva, a cláusula é considerada nula de pleno direito, ou seja, não produz efeitos, mesmo que a pessoa tenha assinado o contrato. Isso não significa necessariamente que todo o contrato seja invalidado — em geral, apenas a cláusula específica deixa de valer, mantendo-se o restante do contrato.
O que fazer diante de uma cláusula suspeita
- Antes de assinar, leia o contrato com atenção e, se possível, peça uma análise prévia;
- Se já assinou e desconfia de alguma cláusula, reúna o contrato completo e qualquer comunicação relacionada;
- Busque orientação para avaliar se a cláusula é de fato abusiva e quais as opções diante da situação concreta.
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