Reestruturação
Recuperação judicial: quando pode fazer sentido para a empresa
Por Dra. Acsa Carlis, OAB/SP 436.184 — Advogada
Quando uma empresa enfrenta dificuldades financeiras significativas, mas ainda possui viabilidade econômica, a recuperação judicial é uma das alternativas previstas em lei para tentar reorganizar suas dívidas e manter a atividade em funcionamento, preservando empregos e a atividade econômica.
O que é a recuperação judicial
Regulada pela Lei nº 11.101/2005, a recuperação judicial é um processo judicial em que a empresa devedora apresenta um plano para renegociar suas dívidas com os credores, buscando prazos, condições e formas de pagamento que viabilizem a continuidade do negócio.
Requisitos legais
Para requerer a recuperação judicial, a empresa precisa atender a alguns requisitos, entre eles:
- Exercer regularmente a atividade empresarial há mais de 2 anos;
- Não estar falida ou, se já foi, ter suas obrigações declaradas extintas;
- Não ter obtido recuperação judicial há menos de 5 anos;
- Não ter sido condenada, ou ter administrador condenado, por determinados crimes falimentares.
Em que situações costuma ser avaliada
A recuperação judicial não é indicada para qualquer dificuldade financeira pontual — é um processo formal, com custos e exigências próprias. Costuma ser avaliada quando:
- A empresa tem dívidas relevantes com múltiplos credores e não consegue renegociar individualmente;
- Há risco real de execuções judiciais e penhoras que podem inviabilizar a operação;
- A empresa ainda apresenta viabilidade econômica, isto é, capacidade de se reorganizar e voltar a gerar resultado positivo;
- A reorganização das dívidas, com prazos e condições diferentes, tende a resolver o problema de fluxo de caixa.
O que acontece durante o processo
Ao deferir o processamento da recuperação judicial, o juiz determina a suspensão das ações e execuções contra a empresa por determinado período (stay period), dando fôlego para que o plano de recuperação seja elaborado e submetido à aprovação dos credores em assembleia.
Alternativas antes da via judicial
Antes de chegar à recuperação judicial, muitas vezes é possível avaliar negociações diretas com credores, reestruturação de contratos e até a recuperação extrajudicial, que segue procedimento próprio e pode ser mais rápida em determinados cenários.
Cada empresa tem uma estrutura de dívidas e um cenário operacional diferente, e a decisão sobre buscar ou não a recuperação judicial exige uma análise cuidadosa da real situação financeira e das alternativas disponíveis.
A empresa está enfrentando dificuldade financeira?
Fale com a Dra. Acsa Carlis para conversar sobre as alternativas disponíveis para o seu caso.
Falar com a Dra. Acsa